Vamos Conversar?

Compreendendo o Zumbido

O que é o zumbido?

O zumbido ou tinnitus é definido como qualquer som que o indivíduo percebe na cabeça, em uma ou nas duas orelhas, sem que haja uma fonte externa para este som. As pessoas relatam escutar um som de apito, sirene, panela de pressão, chuva, cigarra e até mesmo um resgate de memória auditiva, geralmente músicas que essas pessoas escutavam no passado, esse tipo de zumbido é conhecido como alucinação musical. A sensação da presença do som pode ser contínua ou ir e vir, costuma ser mais percebido em ambientes silenciosos. Pode ainda ter graus diversos e comprometer a qualidade de vida de uma pessoa.

 

O zumbido é comum?

É mais comum do que pensamos, muita gente refere esse sintoma. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 15% da população mundial possui zumbido, o equivalente a cerca de 278 milhões de pessoas. Destas, 35% possuem mais de 60 anos.  Na cidade de São Paulo a prevalência verificada foi de 22%, o equivalente a mais de  2.500.000 habitantes.

Os casos de zumbido, hiperacusia e misofonia aumentaram drasticamente durante a pandemia por causa do stress, ansiedade, modificações alimentares e outros fatores. Em geral, as pessoas disseram que sentiram muito mais incômodo durante a pandemia do que antes dela, principalmente mulheres e jovens.

 

O que causa o zumbido?

A perda auditiva está presente em cerca de 90% dos casos, isso ocorre devido a forte associação do zumbido com a perda auditiva. Dentre todos os tipos de perda auditiva, a perda auditiva relacionada a idade (mais conhecida como presbiacusia) é uma das maiores causas dessa correlação.

É importante compreender que o zumbido não é uma doença, ele é um sintoma que pode ter diversas causas e impactos físicos e emocionais, sendo o resultado de algum tipo de alteração, seja ela mental ou física.

A segunda causa principal é a somática, gerada por alguma interferência na musculatura da face e cervical. O zumbido também pode ter causa metabólica, decorrente de uma interferência no metabolismo de açúcares na via auditiva; causa vascular, devido a alteração no fluxo sanguíneo dentro da artéria auditiva; devido às alterações da articulação temporomandibular; ou ainda, é capaz de surgir na presença de exames audiológicos normais.

O zumbido de um indivíduo pode apresentar mais de uma causa ao mesmo tempo. Investigar a doença de base é fundamental para realizar o melhor tratamento. Sim, tem tratamento! É papel do médico otorrinolaringologista realizar o diagnóstico adequado, pois nem sempre o zumbido tem causa relacionada a perda auditiva.

 

O que devo fazer?

O primeiro passo é procurar um médico otorrinolaringologista e relatar os sintomas. Este profissional irá avaliar, diagnosticar a possível causa, indicar tratamentos e realizar encaminhamentos para outros profissionais, como fonoaudiólogo especialista em audição, psicólogo, dentista, nutricionista e até mesmo um fisioterapeuta. Todos esses profissionais fazem parte da rede de cuidado ao paciente com zumbido.

O fonoaudiólogo é o profissional responsável por avaliar, tratar e acompanhar o paciente com este sintoma. O processo de reabilitação pode ser feito com a adaptação de aparelho auditivo, para promover o enriquecimento sonoro e minimizar ao máximo o zumbido percebido e dar mais conforto ao paciente, terapia de som, uso de geradores de som externo e aconselhamento.

Procure quem entende sobre o assunto, há muito o que ser feito por pessoas com zumbido.

 

Zumbido tem cura?

Há casos de cura, mas nem todas as pessoas que possuem zumbido serão curadas.  O tratamento correto é capaz de melhorar significativamente a percepção do sintoma e proporcionar melhor qualidade de vida ao paciente. Saiba mais sobre esta correlação em outro texto do nosso blog: Zumbido e Qualidade de Vida.

 

Fga. Marina Cavalcanti

CRFa: 2-21178

 

 

 

Referências:

OITICICA, Jeanne and BITTAR, Roseli Saraiva Moreira. Prevalência do zumbido na cidade de São Paulo. Braz. j. otorhinolaryngol. [online]. 2015, vol.81, n.2, pp.167-176. ISSN 1808-8694.  https://doi.org/10.1016/j.bjorl.2014.12.004.

Beukes Eldré W., Baguley David M., Jacquemin Laure; et all. Changes in Tinnitus Experiences During the COVID-19 Pandemic. Front. Public Health 8:592878. doi: 10.3389/fpubh.2020.592878

Esmaili AA, Renton J. A review of tinnitus. Aust J Gen Pract. 2018 Apr;47(4):205-208. doi: 10.31128/AJGP-12-17-4420. PMID: 29621860.

Cartilha: All about tinnitus – Autor: Beth-Anne Culhane, Audiologista Avançada, Hospital St George’s, Londres. Versão 2.3. Emitida em novembro de 2018. Revisado em julho de 2019. Imagem de silviarita de Pixabay. British Tinnitus Association.

Copyright © CONSI- APARELHOS AUDITIVOS 2021 . Todos os direitos reservados