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Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR)

A perda auditiva induzida por ruído, um dos tipos de perda auditiva mais comuns em nossa realidade, é gerada pelo que chamamos de poluição sonora.

O desenvolvimento industrial e tecnológico dos últimos anos produziu uma série de bônus e ônus para a humanidade, entre eles, os diversos tipos de poluição. O ruído de trânsito e de atividades de trabalho contribuem muito para a poluição sonora na qual estamos expostos diariamente. E a poluição sonora é um dos três principais tipos de poluição no mundo, perdendo apenas para a poluição do ar e da água.

 

O que é a Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR)?

Perda auditiva induzida por ruído é quando a exposição a ruídos de intensidade forte resulta em danos a estrutura do ouvido interno. O risco está presente tanto em exposições prolongadas a ruído ambiental como em exposição de curta duração a um ruído muito intenso.

Quanto mais alto o ruído e/ou quanto maior for o tempo de exposição, maiores são as chances de ocorrer perda auditiva permanente.

 

PAIR e Perda Auditiva Ocupacional

É importante considerarmos que perda auditiva ocupacional, decorrente de atividades relacionadas ao trabalho, é diferente de perda auditiva induzida pelo ruído.

O ambiente de trabalho possui uma série de agentes físicos e químicos que podem representar riscos a saúde humana, além da presença de ruído excessivo, há a exposição a produtos químicos como: metais, solventes e asfixiantes que também representam risco a audição, mesmo na ausência de ruído.

Além disso, atividades de laser também podem representar um risco a saúde auditiva como a longa exposição a fones de ouvido em alta intensidade e a frequência regular em ambientes com elevados índices de ruído como shows, festas, academias e outros.

 

Quem é afetado pela PAIR?

Todas as pessoas, de todas as idades, podem ser afetadas. A maior incidência é em adultos do sexo masculino, é também neles que o grau da perda tende a ser mais severo (Entenda mais sobre os níveis de perda auditiva no nosso blog: Entenda a perda de audição). Acredita-se que este fato esteja relacionado a uma maior exposição a ruído intenso em atividades de trabalho.

 

Quais ruídos causam a PAIR?

A exposição a sons acima de 85dB por mais de 8 horas causa perda auditiva temporária, sons acima de 140 dB podem causar dor e perda auditiva permanente e imediata.

Veja a seguir a escala de níveis sonoros e confira os níveis de ruído que podem representar um risco a sua audição.

 

 

 

Como ocorre?

As características da PAIR apresentam grande variabilidade de ocorrência entre os indivíduos, isso porque a possibilidade de um indivíduo danificar a audição não está relacionada apenas a exposição a som de alta intensidade, mas também a uma série de fatores como: doença pré-existente, idade, hereditariedade e outros fatores como uso de agentes químicos.

Nos estágios iniciais a perda auditiva pode ser temporária e vir acompanhada por zumbido e sensação de plenitude auricular, como se os ouvidos estivessem tampados. Se a exposição ao ruído continuar, a perda pode se tornar permanente e irreversível.

No exame de audiometria podemos encontrar uma perda auditiva do tipo neurossensorial, geralmente com configuração descendente – com perda mais acentuada nas frequências agudas, ou ainda uma perda auditiva isolada em algumas frequências, sendo 3K Hz, 4K Hz e 6K Hz as frequências mais comumente afetadas. A perda também pode ocorrer em uma ou nas duas orelhas.

 

Quais são os sinais e sintomas?

Os sintomas a curto prazo são dor de cabeça, zumbido, sensação de ouvido tampado e tontura. A longo prazo os pacientes apresentam prejuízos na comunicação, como dificuldade para ouvir sons agudos e entender a fala, principalmente em conversas entre grupo de pessoas. Já os efeitos do ruído na saúde são vários: estresse, aumento da tensão muscular, alteração do sono, aumento da pressão arterial e outros.

 

Como se proteger?

É primordial estarmos atentos ao nível de barulho do ambiente que frequentamos, a escala de níveis sonoros acima auxilia nesta tarefa.

O tempo de permanência nesses ambientes também precisa ser considerado. A Academia Americana de Audiologia (AAA) preconiza como alerta para reconhecer um som perigoso se:

– Você tem que gritar sobre o ruído de fundo para ser ouvido;

– O barulho é doloroso para seus ouvidos;

– O barulho provoca zumbido;

– Você percebe uma diminuição da audição ou uma sensação de som “abafado” após a exposição.

 

Confira o PDF com nível de sons e o tempo de exposição clicando aqui:

https://www.audiology.org/sites/default/files/NoiseChart8.5×11.pdf (documento em inglês).

 

Proteja a sua audição!

Use proteção auditiva quando o som ao redor for mais alto que 85 dB. Existem diferentes tipos de proteção auditiva, como tampões de espuma, protetores auriculares e dispositivos de proteção auditiva personalizados que podem ser confeccionados aqui na CONSI, isso inclui proteção auditiva especial para músicos.

Abaixe o volume ao ouvir rádio, televisão ou qualquer coisa por meio de fones de ouvido.  Sempre que possível, afaste-se do barulho intenso.

 

Faça exames preventivos!

Em indústrias onde o nível de ruído é elevado, existe o Programa de Conservação Auditiva com o objetivo de avaliar, gerenciar e minimizar os eventuais riscos ambientais à audição. Existe também a implementação de medidas de proteção auditiva dos trabalhadores, como o uso de protetores auditivos específicos, entre outros.

A realização de exame de audiometria em intervalos anuais, ou menores se o paciente perceber qualquer alteração na sua capacidade auditiva, também é necessária para identificação e tratamento precoce. Por isso, inclua esse exame em seus exames de rotina anuais.

 

Entre em contato conosco ao notar qualquer alteração na sua audição.

 

Fga.: Marina Cavalcanti

CRFa.: 2-21178

 

Referências bibliográficas:

Tratado de Audiologia. Sessão 4 Saúde Coletiva e do Trabalhador – 2. ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.

Tratado de Fonoaudiologia. Cap. 49.- São Paulo: Roca, 2004.

Alterações Auditivas – Um manual para a Avaliação Clínica. Cap. 16 – Rio de Janeiro / São Paulo: Atheneu, 1989.

Academia Americana de Audiologia – Perda Auditiva Induzida por Ruído (site).

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