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Apesar de ser um som “fantasma” o zumbido é REAL

Sabemos que o zumbido é um som que o indivíduo percebe na cabeça, em uma ou nas duas orelhas, sem que haja uma fonte externa para este som. Mas, se não há uma fonte externa, de onde esse som vem?

 

Antes de responder, precisamos entender que para escutar só as orelhas não são suficientes, a audição é um processo cerebral altamente complexo e bem diferente dos demais sentidos. De modo muito resumido, as nossas orelhas captam os sons e mandam a informação para o cérebro, na região do córtex auditivo, e o cérebro é o responsável por dar significado a tudo que as nossas orelhas são capazes de detectar.

O mau funcionamento das estruturas das orelhas ou mesmo a perda auditiva, podem ser só o ponta pé inicial na geração do zumbido, o problema pode se iniciar ali e depois passar para o cérebro que cria conexões com as suas emoções e a sua atenção de acordo com a sua experiência com o zumbido. O seu cérebro é que mantem o zumbido e dita a gravidade deste sintoma na tentativa de corrigir a falta da estimulação auditiva. Sendo assim, o cérebro pode responder de duas maneiras: 1) se adaptar; ou 2) responder de forma super hiperativa e reativa gerando uma percepção e reação associada ao zumbido.

 

Entendendo nossa reação ao zumbido.

Veja a seguir um ótimo exemplo para entendermos sobre as diversas reações ao zumbido. Pais e mães de recém nascido conseguem dormir tranquilamente ouvindo um barulho de chuva muito agradável, as vezes nem mesmo um trovão é capaz de fazer despertar. Mas se o bebê chora, mãe e pai despertam rapidamente. O trovão é um som muito mais elevado do que o choro do neném, mas desperta uma reação completamente diferente. Algo semelhante acontece com o zumbido, a sua reação importa muito, mas isso não quer dizer que você precisa se “acostumar” com ele.

A experiência de medo, ansiedade, angustia e sofrimento em relação ao zumbido ocorre por ativação de áreas emocionais no cérebro, assim como a reação ao choro do bebê. A emoção pode ser intensificada e agravada de forma a exacerbar a sensação do zumbido com grande impacto na qualidade de vida de quem sente.

Um artigo muito interessante mostrou em imagem de Ressonância Magnética Funcional (RMF) a ativação do cérebro de uma pessoa com zumbido de baixo desconforto (esquerda) e desconforto elevado (direita), pacientes com menor desconforto utilizam um caminho diferente no processamento da informação emocional. Este caminho não ativa a amígdala, mas sim o lobo frontal – parte do cérebro responsável pela atenção e controle.

Artigo: Carpenter-Thompson, J. R., Schmidt, S., McAuley, E., & Husain, F. T. (2015).Increased frontal response may underlie decreased tinnitus severity. PLoS ONE, 10(12), Article e0144419.

 

Se eu não tenho perda auditiva, o que causa o meu zumbido?

É importante compreender que o zumbido não é uma doença, ele é um sintoma que pode ter diversas causas além da perda auditiva. Você pode saber mais sobre o zumbido neste outro texto do nosso blog. Não é porque você sente o zumbido que, necessariamente, você possui uma doença grave.

Sabemos que a grande maioria dos casos o zumbido ocorre devido a perda auditiva. Além disso exame normal não é sinônimo de ausência de problema auditivo, já dissemos que a audição é um processo altamente complexo, é muito mais do que um exame de audiometria e por isso nem sempre a alteração é detectada.

Também há uma infinidade de doenças e alterações que podem provocar a percepção do zumbido. A segunda causa principal para o zumbido é a somática, gerada por alguma interferência na musculatura da face e cervical.

O zumbido também pode ser decorrente de causa metabólica, causada por uma interferência no metabolismo de açúcares, diabete, hipoglicemia e resistência a insulina. Pode ter origem vascular, devido a alteração no fluxo sanguíneo dentro da artéria auditiva que ocorre em doenças como a hipertensão. Alterações da Articulação Temporomandibular (ATM), doenças de ordem emocionais e outras.

Além disso, o zumbido de um indivíduo pode apresentar mais de uma causa ao mesmo tempo. Investigar a doença de base é fundamental para realizar o melhor tratamento. Sim, o zumbido tem tratamento! É papel do médico otorrinolaringologista realizar o diagnóstico adequado. Aqui na CONSI contamos com uma equipe parceira para te auxiliar na melhora do sintoma, entre em contato conosco através do link de WhatsApp aqui na sua tela e saiba mais.

 

Fga. Marina Cavalcanti

CRFa. 2-21178

 

Referências:
Cartilha: All about tinnitus – Autor: Beth-Anne Culhane, Audiologista Avançada, Hospital St George’s, Londres. Versão 2.3. Emitida em novembro de 2018. Revisado em julho de 2019. Imagem de silviarita de Pixabay. British Tinnitus Association.
Figueiredo, Ricardo Rodrigues. Zumbido/ Ricardo Rodrigues figueiredo, Andreia Aparecida de Azevedo – Rio de Janeiro: Revinter, 2013.
Carpenter-Thompson, J. R., Schmidt, S., McAuley, E., & Husain, F. T. (2015). Increased frontal response may underlie decreased tinnitus severity. PLoS ONE, 10(12), Article e0144419.

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